quinta-feira, 28 de junho de 2012

ILÍDIO FERNANDO SILVA PEDROSA ROCHA – Guiné



Mensagem de Ilídio Fernando Silva Pedrosa Rocha, Soldado Condutor-Auto, CCAÇ 797, Guiné, 1965/67, em Tite e Nhacra.
Assentei praça no dia 20 de Julho de 1964, no CICA 1, Centro de Instrução e Condução Auto, no Porto.
Fiz a especialidade de Condutor Auto no RI 6 – Regimento de Infantaria, na Senhora da Hora, em 18 de Outubro de 1964.
Em 6 de Dezembro de 1964 fui colocado no Regimento de Infantaria 1, na Amadora e fui mobilizado.
Na zona de Mafra e da Serra de Sintra fiz o IAO – Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.
Passei então a integrar a Companhia de Caçadores 797 que recebeu o nome de “Os Camelos” e que tinha como divisa “O inimigo teme sempre quem não o mostrar temer”.
Em 23 de Abril de 1965 embarquei no paquete “Uíge” com destino à Guiné, fazendo parte da CCAÇ 797, onde cheguei no dia 28. Neste mesmo dia embarquei numa LDM – lancha de desembarque médio – com destino a Tite. A minha companhia foi render a CCAÇ 423. Estive nesta localidade durante treze meses. Como na zona de Tite o terreno tinha muitas minas anti-carro, não exercia as funções de condutor; durante este tempo tive de exercer actividade como caçador especial integrando o 3º. Grupo de combate nas operações da Companhia.
A bordo de uma LDM no Rio Geba
Em Tite a actividade operacional era altamente perigosa, mas a CCAÇ 797 procurou não deixar o IN abusar e sofremos bastante, tendo felizmente saído bem desta situação. Neste período a Companhia efectuou 275 emboscadas, 211 patrulhamentos, 17 cercos e operações de limpeza de povoações, 22 golpes de mão e 17 operações conjuntas com outras Companhias e com grupos de para-quedistas. Destruímos ao In 25 acampamentos e 28 tabancas. Segundo os números da unidade, percorremos 5.722 quilómetros a pé através das matas, bolanhas e tarrafos.

O filtro de água no quartel de Tite
Felizmente “Roncos” (operações com sucesso) não faltaram, tendo capturado ao IN 50 peças de armamento variado, com destaque para as acções na região de Gã Saúde e Jufá em que capturámos duas metralhadoras, dois roquetes RPG 2 e 28 espingardas.
Apesar de todos os cuidados acabaram por perder a vida em combate durante a comissão oito colegas e tivemos um total de 53 feridos.
Não posso esquecer a memória dos nossos mortos:
12/08/1965 - Júlio Lemos Pereira Martins
12/08/1965 – Inácio de Freitas Ferreira
30/09/1965 – Aníbal Alves Pires
18/10/1965 – Diogo Amaro Neves
01/11/1965 – Manuel António Amaral Nobre
18/03/1966 – Alberto Tibúrcio da Silva
11/05/1966 – Juidé Mané
17/06/1966 – Jorge Augusto Maria Brás
Que descansem em paz.
Em 16 de Maio de 1966 mudamos provisoriamente para a zona de Bissau, para o célebre quartel conhecido como o 600, junto ao Palácio do Governador, tendo ficado a aguardar o próximo quartel que nos seria destinado.

O Unimog que habitualmente conduzia mas missões de patrulhamento
Em 3 de Junho de 1966 fomos colocados em Nhacra e no dia 6 assumimos a responsabilidade deste Subsector com destacamentos em Safim e em S. João de Landim, com a missão de tomar conta das estradas que ligavam a Bissau. Missão nada fácil e uma grande responsabilidade sobre todos nós. A minha missão passou a ser a de fazer patrulhamentos, já como condutor (a minha especialidade), nas picadas, tendo um raio de acção de trinta quilómetros em toda a cintura da capital, incluindo o Aeroporto de Bissalanca.
Nesta zona, perto da capital, o IN não se mostrava, a sua actividade era silenciosa, mas tivemos de manter a mesma pressão que exercemos em Tite – não mostrar medo nem dar descanso.
Junto da nossa enfermaria móvel

Em Janeiro de 1967 constou que íamos mudar de novo de quartel mas acabou por vir uma boa notícia – o regresso à Metrópole estava para breve. Fomos rendidos pela CCAÇ 1487 no dia 16. No dia 20 de Janeiro embarcámos de novo no paquete “Uíge” que nos havia levada para a nossa missão foi o mesmo que nos trouxe de volta. Chegámos no dia 26 de Janeiro, com o dever cumprido.
De referir que a CCAÇ 797 foi comandada pelo Capitão de Infantaria Carlos Fabião; como Comandante da CCAÇ 797 foi condecorado com a Medalha de Prata de Valor Militar com Palma. Após o 25 de Abril foi nomeado Governador Geral da Guiné; faleceu em 2 de  Abril de 2006.

“Àqueles que fizeram do Camelo um símbolo e que em torno desse símbolo se uniram e constituíram uma força coesa para servir a Pátria, com generosidade, coragem e determinação, nas Portuguesas terras da Guiné, o muito obrigado daquele que teve a honra e o orgulho de os comandar”. – Capitão Carlos Fabião

segunda-feira, 18 de junho de 2012

DIA DE PORTUGAL


DIA DE PORTUGAL – 10 DE JUNHO DE 2012

PALAVRAS DO PROF. DOUTOR MANUEL ANTUNES AOS COMBATENTES DA GUERRA DO ULTRAMAR

Estimados Combatentes,

Quero agradecer-vos a suprema honra de poder estar, aqui e hoje, convosco. Não me reconheço os dotes que presumivelmente estiveram na origem do convite que me foi feito pela Comissão Executiva deste Encontro e que outros, em anos anteriores, evidenciaram. No entanto, as palavras deste ilustre desconhecido que está perante vós, que não serão um modelo de retórica, são certamente sentidas. Como escreveu o poeta:

Mas eu que falo, humilde, baixo e rudo,
De vós não conhecido nem sonhado?
Da boca dos pequenos sei, contudo,
Que o louvor sai às vezes acabado.

No 10 de Junho, celebramos o Dia de Portugal, Dia de Camões, o poeta da nossa epopeia ultramarina. Estamos todos aqui, neste local histórico, à sombra da Torre de Belém, que simboliza os Descobrimentos Portugueses, para celebrar Portugal e honrar os seus combatentes, os seus heróis.

Homenageamos os que combateram na guerra do Ultramar, a mais recente e que ainda está bem viva na memória de muitos, e em que pereceram quase nove mil portugueses europeus e africanos, cujos nomes estão para sempre gravados neste monumento. Tal como os navegadores de antanho, muitos destes deixaram as suas terras para defender a Pátria em terras longínquas, que a maior parte até desconhecia.

Homenageamos todos os outros que deram a vida pela Pátria ao longo da sua história, neste rol incluindo aqueles que, mais recentemente, o fizeram em missões de paz em que, como cidadãos do mundo, estivemos e continuamos a estar envolvidos em várias partes do planeta.

Todos merecem o nosso mais profundo reconhecimento. "Ditosa Pátria que tais filhos tem". Não tenhamos medo desta frase, como não devemos ter medo de afirmar, como Vasco da Gama, "Ditosa Pátria minha amada". Porque estes Homens só morrem quando a Pátria se esquece deles. E porque não nos esquecemos deles, aqui viemos hoje.

Mas não recordamos apenas os que perderam a sua vida na guerra, homenageamos também um enorme número de combatentes ainda vivos, a merecer reconhecimento, e de que há muitos, ainda, a sofrer as consequências de uma guerra por Portugal, com referência especial para os mais de 15.000 deficientes do Ultramar. Os Portugueses homenageiam-vos a todos vós que aqui estais e aos vossos camaradas que aqui não puderam vir.

É claro que há por aí quem não goste do que aqui estamos a fazer. Mas como disse, há pouco mais de um ano, o Senhor Presidente da República, por ocasião do 50º. Aniversário do início da guerra em África, "...hoje aqui não homenageamos uma época, um regime ou uma guerra. Trata-se, simplesmente, de uma homenagem da Pátria àqueles que se encontram entre os seus melhores servidores".

Ainda que algo se tenha progredido nos últimos anos, lamento a forma como os Antigos Combatentes da Guerra de Ultramar foram, e continuam a ser desconsiderados, mesmo maltratados, o que evidencia um triste retrato de Portugal.

Um retrato que se começa a fazer na escola. Escola de onde entretanto desapareceu o culto da Pátria, da bandeira, do hino. Escola onde, quase quatro décadas depois, ainda se escamoteia e até se deturpa uma parte importante da nossa história, mas a que a história um dia fará justiça.

Como também disse o nosso Presidente, "é importante transmitir às gerações mais novas, o testemunho de quem enfrentou a adversidade ombro a ombro com aqueles a quem confiava a vida e por quem a daria também; o testemunho de quem conhece a relevância de valores como a solidariedade, o profissionalismo, o mérito e a honra, a família e o País".

De um Antigo Combatente li que, "só assim se pode incutir nos mais novos o sentimento de que pertencem a uma nação, com as suas vitórias e as suas derrotas, os seus momentos de glória e os seus períodos de desânimo. Não se pode compreender um país se não se conhecer o seu passado, com tudo o que teve de bom e de menos bom".

Homenageamos hoje, pois, a entrega e o espírito de missão dos nossos combatentes, com o coração e a alma cheios de orgulho no que fizeram. Em combate e fora dele. Na integração com as populações locais, sem precedentes noutras guerras e entre outros povos, e que é amplamente reconhecida pelos próprios cidadãos desses hoje países independentes.

Estamos, nestes tempos, a virar a página. As nossas ligações com África são hoje mais fortes que nunca. A promoção da lusofonia africana, que nos pode ajudar a libertarmo-nos de alguns dos nossos problemas, é agora um dos nossos desígnios. A vossa luta também ajudou a criar um ambiente propício para este diálogo. Afinal, a história está, uma vez mais, a reescrever-se e a reencontrar-se consigo própria.

Nestes dias, o País atravessa, novamente, uma situação difícil. Todos nós sofremos as suas consequências. Contudo, comparados com as vicissitudes desse tempo, os problemas que o País enfrenta hoje até parecerão menores. Se os conseguimos resolver então, certamente os resolveremos hoje.

Caros combatentes,

Permitam-me, finalmente, que aproveite a minha presença aqui para destacar o pessoal da saúde das nossas Forças Armadas, médicos, enfermeiros, técnicos e outros que deram apoio médico-sanitário nos teatros-de-operações ultramarinos. Como médico, não podia deixar de aqui prestar homenagem a todos aqueles que, na frente de combate ou na rectaguarda, resgataram da morte as vossas vidas. Alguns pagaram também com a própria vida essa sua dedicação à causa.

Mas não foi apenas na guerra que se destacaram. Eles ajudaram a estabelecer uma rede de centros de saúde de que resultou uma cobertura médico-sanitária efectiva onde antes não existia nada. As populações desses territórios foram os beneficiários directos dessa actuação e ainda hoje o recordam. Sou testemunha disso, como sou testemunha dessa actividade, porque por lá vivia então. Convivi com alguns, aprendi com alguns. É necessário não esquecer que 40% do orçamento das Forças Armadas no Ultramar era dedicado à acção social. Também desta forma se contribuiu para a construção do futuro

Queridos combatentes,

Termino, como comecei, citando Camões:

Em vós esperam ver-se renovada
Sua memória e obras valerosas;
E lá vos tem lugar, no fim da idade,
No templo da suprema Eternidade.

Os Portugueses não vos esquecem. Os Portugueses não esquecem o que vos devem.

Viva Portugal!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CARTÃO DE ASSOCIADO

Eu sou sócio da A.D.C.D.A e TU?

A Direcção da Associação no cumprimento do deliberado em Assembleia Geral, criou os meios logísticos (possíveis) para levar adiante o regulamentado nos estatutos e em conformidade com as informações que entretanto fomos divulgando, cobramos as cotas no decorrer do nosso convívio no passado dia 25 de Abril.
Aos presentes foi-lhes entregue um cartão “PROVISÓRIO”que se tornará em definitivo logo que seja feito o recenseamento tão completo quanto o possível de quantos somos, e por onde andamos.
Todos os combatentes de quem temos registos (+ou-300) e que não estiveram presentes no “ALMOÇO- CONVIVIO”também têm cartão de associado que lhes poderá chegar às mãos por solicitação directa junto da Direcção ou no próximo envio de correspondência, depois de devidamente combinado a forma de regularização do valor a pagar.
Os companheiros presentes cumpriram com o pagamento da “cota” que sendo de valor 1,50€ a maioria aceitou pagar valores (anuais) diferentes na grande maioria superiores.
Se porventura ao leres esta mensagem e se foste combatente, se és natural ou residente em Avintes, ou até passaste parte significativa da tua vida na:
“NOSSA TERRA” ficas desde já “mobilizado” para te associares aos:




 “COMBATENTES DE AVINTES. 


sexta-feira, 11 de maio de 2012

CINQUENTENÁRIO - HOMENAGEM

 




No decorrer do convívio a Direcção prestou a devida homenagem aos Companheiros que comemoram este ano o “CINQUENTENÁRIO” da partida para os vários teatros de operações.
Incluímos nas homenagens três companheiros que cumpriram o serviço militar nas “ex. Colónias” antes de “guerra declarada” em 1961.
Na tentativa de uniformizar a simbologia, a Direcção da ADCDA decidiu  atribuir o mesmo galardão deste ano aos companheiros que em 2011 completaram os 50 Anos.  
Encerramos a cerimónia com os tradicionais discursos, mas com a elevação habitual e dissemos que iríamos continuar a nossa caminhada até à realização dos objectivos a que nos propusemos, com a certeza de que com a vossa ajuda será mais fácil; contamos com todos, vamos tornar esta Associação na referência de todos os Combatentes de Avintes.
Esperamos por vocês para as nossas iniciativas.

A Direcção
<>
 
                                 OS HOMENAGEADOS:

 

                              Com a placa MEMÓRIA
<> 
Armando Fernandes de Almeida
1955/57
Índia
Joaquim Lopes dos Santos
1959/62
Angola
João Marques de Oliveira
1960/62
Índia



                                                  Com a placa 1961
                                               CINQUENTENÁRIO

Francisco Gomes Pinto
1961/63
Angola
Francisco Lopes dos Santos
1961/63
Angola
Hermínio Manuel Sousa Viana
1961/63
Angola
Joaquim Cardoso Magalhães (Dr.)
1961/63
Angola
Joaquim dos Santos Pinto
1961/64
Angola
Joaquim Fernandes Flores
1961/63
Angola
José Carlos Rodrigues de Oliveira
1961/63
Angola
José dos Santos Castro
1961/63
Angola
Manuel Augusto Batista de Oliveira
1961/64
Angola
Manuel de Oliveira Domingos
1961/64
Angola
Mário Rocha Santos
1961/63
Angola



                                                            Com a placa 1962
                                                           CINQUENTENÁRIO

Ângelo Amandio de Jesus Freitas
1962/64
Angola
António dos Santos Duarte
1962/64
Angola
Manuel Catarino Lopes dos Santos
1962/64
Angola
Manuel da Silva Dourado
1962/64
Angola
Manuel da Silva Moreira
1962/64
Angola
Secundino de Freitas Nicolau
1962/64
Angola







ver mais em FOTOS


domingo, 6 de maio de 2012

“CONTROLO DE VELHICE”

Por Edital de 27 de Abril de 2012 emanado da 1ª Repartição da Associação de Combatentes de Avintes, foram chamados todos os “Mancebos” e respectivas Esposas a fazerem o RASTREIO AO COLESTEROL.Os Referidos testes foram efectuados nas instalações da Farmácia Dias que patrocinou toda a logística necessária para o efeito

O atendimento personalizado foi feito pela “Técnica de Farmácia” e futura Doutora Cátia Martins que com uma enorme simpatia e disponibilidade “aturou” estes “Jimbras” que a idade tornou mais piegas mas sempre com um enorme sorriso no rosto e boa disposição, lá foi ultrapassando os obstáculos que lhes fomos criando.
Não compareceram tantos quantos nós queríamos, mas como diz o ditado, poucos mas bons e já agora em óptimo estado segundo os próprios exames, mantendo todos os parâmetros normais para a idade.
Para a Dr.ª Isabel Costa, fica o nosso agradecimento muito caloroso, não só pelo empenho nesta acção, mas também pela solidariedade demonstrada desde a primeira hora com a solicitação da direcção da ADCDA e por ter suportado todos os custos inerentes ao “evento” ofertando amavelmente o pequeno-almoço a todos os participantes que fizeram o rastreio; com esta atitude só veio confirmar os valores muitas vezes “esquecidos” e que são um grande apanágio das pessoas de Avintes em “FAZER BEM SEM OLHAR A QUEM”, não valendo a pena olhar para longe ignorando o que temos tão perto.
Por tudo, uma vez mais o nosso obrigado e fique com a certeza que ficará gravado em nós este gesto simpático que teve para com os Ex. Combatentes.
 A Direcção da Associação estará sempre disponível para qualquer acção que lhe seja solicitada.  

Numa fase da nossa vida em que passamos da “PAIXÃO” para a “COMPAIXÃO” (Velhice) mas na idade madura que é aquela na qual ainda se é jovem mas com mais esforço, sentimos quanto são importantes estes gestos de solidariedade na sociedade em que estamos inseridos.

Um bem-haja e os agradecimentos de
A Direcção
 ver em fotos


                                                 

MÃE

                                                                                                                                                                          
                                     "TUDO É INCERTO, EXCEPTO O AMOR DE MÃE “
Amigos Combatentes de Avintes, hoje dia da Mãe, o nosso pensamento vai especialmente para elas. Amo-te mãe, felizes os que ainda podem dizer olhando-as nos olhos o quanto gostam delas, porque infelizmente para muitos de nós só em pensamentos o podemos dizer.
Quanto sofrimento, quanta angústia as nossas mães passaram com a nossa passagem por terras de África.
Quantas saudades de lhe afagar os brancos cabelos, beijar o belo e velho rosto, agora rugoso pelas agruras da vida, sentir o aconchego dos seus abraços em momentos de ternura que só ela nos dava; quantas vezes foram o porto seguro que nos acolheu nos momentos de maior tormenta nas nossas vidas, que saudades do seu olhar, sempre ternurento  e doce mas que podia endurecer para nos repreender, que saudade da palavra amiga e sábia que brotava do seu coração sempre que a buscávamos para nos dar um conselho, a força delas, deu-nos asas para voar, que saudades mãe.
As lágrimas que nos correm pelo rosto, são lágrimas de saudade e amor e pedimos ao Senhor para lhes dar o eterno descanso e que a luz perpétua brilhe para elas na companhia dos Seus eleitos.
Andareis sempre nos nossos corações.

A direcção

segunda-feira, 30 de abril de 2012

CONVIVIO 2012

    ver em fotos
 Mesmo com a intempérie que se abateu sobre Avintes, realizou-se mais um convívio dos ex. Combatentes da nossa “Terra” e quis o destino que este ano coincidisse numa data de redobrada regozijo para nós combatentes mais novos pois tornou-se numa bênção que culminou com o regresso mais rápido para junto dos nossos entes queridos.
S. PEDRO QUE NÃO FOI MILITAR, não esteve pelos ajustes e presenteou-nos com um vendaval que fez mossa. Como já passamos grandes vicissitudes na vida, enfrentamo-lo com coragem de combatente e até com alguma ironia de VETERANOS, não se fez o cortejo que se pretendia, tirou-nos todo o brilho que merecíamos e que queríamos retribuir à nossa família, aos nossos amigos e à população em geral o respeito, o carinho e o agradecimento pelo afecto que sempre nos deram e nos tem presenteado ao longo do tempo e enaltecer a forma NOBRE como todos os Avintenses tratam os seus filhos.
Pelas razões já referenciadas, alterou-se por completo o alinhamento que tínhamos previsto e arrancamos para o PLANO B, iniciou-se o desfile sem a tradicional fanfarra e reduzido aos mais corajosos no parque do INTERMACHÊ.
Pontificavam na frente do cortejo a bandeira Nacional e a bandeira da nossa Associação, ladeadas por duas coroas de flores que mais tarde seriam depositadas no cemitério, uma na pedra central em homenagem a todos os companheiros já falecidos e uma outra no “túmulo” que simboliza todos os combatentes que faleceram no “ Ultramar”.
A cerimónia religiosa foi enriquecida com a presença de um CLARIM MILITAR que com os vários toques alusivos deram um ar enternecedor ao momento. 
Correu tudo bem? Correu, podia ter corrido melhor? Podia. 
Ficamos muito tristes pela ausência de alguns companheiros, e até muito desapontados com a indiferença com que hoje fomos tratados pela maioria das entidades oficiais convidadas com particular destaque para a Autarquia Local, referenciamos no entanto a presença do Sr. vereador Eng.º Rui Cardoso em representação do Senhor Presidente da Câmara Municipal e a sempre louvável companhia dos “Plebeus Avintenses”, que ajudaram a enriquecer e aumentar a  satisfação pela significativa adesão de Combatentes, Amigos e Avintenses que responderam á nossa chamada o que tornou este convívio numa das maiores concentrações de Ex. Militares de Avintes.
Admitindo que esta data coincide com outras iniciativas, não cremos que a nossa seja de importância menor e que dos muitos convites endereçados, não fosse possível, no mínimo fazerem-se representar.
Fomos treinados para lidar com adversidades, lutamos com as maiores dificuldades, registamos este momento e faremos da indiferença a força necessária para levarmos a nossa missão até ao final, tendo sempre presente nas nossas mentes que hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje.
O repasto superiormente servido na “Quinta de Gradouro” correu da melhor forma, pensamos que todos saíram satisfeitos e até felizes pelo reencontro de amigos e conterrâneos que não se encontravam há muito tempo.
A direcção da Associação de Combatentes levou a efeito algumas iniciativas em que todos colaboraram, acabando mesmo para servirem de entretenimento e que ajudou a mantermos activas as “TROPAS” para os vários “combates que foram decorrendo na sala de refeições.
Homenageamos os Companheiros que comemoram este ano o “CINQUENTENÁRIO”da partida para os vários teatros de operações, incluímos nas homenagens três companheiros que participaram em períodos antes de “guerra declarada” em 1961, e na tentativa de uniformizar a simbologia, atribuiu-se o mesmo galardão deste ano aos companheiros que em 2011 completaram os 50 Anos.
Encerramos a cerimónia com os tradicionais discursos, mas com a elevação habitual e dissemos que iríamos continuar a nossa caminhada até à realização dos objectivos a que nos propusemos, com a certeza que com a vossa ajuda será mais fácil, contamos com todos, vamos tornar esta Associação na referência de todos os Combatentes de Avintes.

Esperamos por vocês para as nossas iniciativas.

NÓS VAMOS ANDAR POR AÍ. 

A Direcção


sábado, 21 de abril de 2012

FRANCISCO LOPES DOS SANTOS - Afinal só passaram 51 anos


Mensagem de Francisco Lopes dos Santos, Soldado condutor da CCAÇ 94, Negage, Ambriz e outros, Angola , 1961/63, com data de 20 de Abril de 2012



O CHICO RATO
Depois de mais um fim de semana a recarregar baterias, aproveitando para namoriscar, recolher notícias da “Terra”, rever  a família e amigos, mas sem deixar de ir ao Parque Joaquim Lopes encher o “EGO” pelo brilhantismo que  dava o meu “ Avintes” e motivos de conversa para toda a semana. Estávamos então no dia 18 de Abril de 1961, e toca a levar o “farnel” que tão carinhosamente a minha MÃE preparava com os poucos recursos que tinha, mas com todo o AMOR que me dava. Segui a pensar no próximo fim de semana dali a 15 dias, como habitualmente.
A preocupação começava a instalar-se nas famílias dos militares de então; tinha rebentado a “Guerra” em Angola e andávamos todos com o coração nas mãos, sem saber como, porquê, e o que teria originado aquela situação. A ignorância imposta pelo regime à sociedade, fazia-nos crer que altos valores Patrióticos nos obrigavam a deslocar para  defender a PÁTRIA nas Províncias Ultramarinas, o que impôs à sociedade civil um clima de grande preocupação pelos seus FILHOS.
Saco cheio há que fazer o percurso até Braga onde me iria apresentar no Quartel das Carvalhas para continuar o meu serviço militar. Preparado para relatar os acontecimentos desse fim de semana, eis que reparo que muitos colegas já tinham vestida a farda amarela que se recebia quando éramos mobilizados; veio a noticia que mais temia - chegou um 1º. Cabo com uma mensagem dizendo que me tinha de dirigir de imediato ao Regimento de Infantaria 8, também em Braga para que me fosse distribuída a farda amarela. Estava definitivamente mobilizado para Angola e o navio zarpava do Tejo logo no dia 21. Depois de me ser distribuído o fardamento pedi ao meu Comandante para me deixar vir a casa porque os meus familiares e a namorada não sabiam de nada e eu não me tinha despedido deles.
Ele respondeu: - daqui não sai ninguém;
- Saí há pouco de casa – disse eu;
- Se eu te deixar ir, tu voltas?
- Volto sim, meu Comandante – respondi;
Então autorizou-me a sair.
Havia que arranjar forma de chegar o mais rápido possível a casa; como? Pus-me à boleia e lá apareceu a solidariedade dos Portugueses - apareceu um carro de que nunca mais esqueci a marca – um SIMCA  ARONDE  - e o condutor fez o favor de me trazer até ao Porto e ainda me ofereceu 2,50 escudos (vinte e cinco tostões) para pagar o bilhete da camioneta do Porto para Avintes.
Chegado a Avintes, saio na paragem que havia junto ao Café Guarani; era habitual os jovens ficarem no passeio do Cabra, depois do trabalho, quase em frente ao café; um deles era o Samuel Borges que, ao ver-me de farda amarela, se dirigiu de imediato a casa dos meus pais para os avisar de que eu estava a chegar e que eu ia para Angola.
Quando cheguei a casa só ouvia gritos de desespero da minha mãe.
No dia 20, tal como havia prometido ao Comandante, voltei a Braga para seguir para Lisboa, tendo embarcado na manhã do dia 21 de Abril de 1961 no navio “Niassa”.
Daí para a frente, em quase todos os navios que seguiram para África, seguiam jovens de Avintes.
................
DOIS ANOS DEPOIS
No dia 2 de Maio de 1963 chego a Avintes, perto da meia-noite e novamente volto a encontrar o Samuel Borges que, ao ver-me, de novo volta a dirigir-se  em direcção a casa de meus pais, desta vez a levar a boa nova de que eu acabava de chegar são e salvo.






sexta-feira, 20 de abril de 2012

BLOGUE - VISITAS

CAROS AMIGOS
Ultrapassamos hoje as 15.000 visitas ao nosso blogue.
Isto vai aumentando a nossa responsabilidade, mas também a satisfação pelo trabalho desenvolvido. 
Vamos fazer mais e melhor.
Partilhemos juntos essa satisfação.
A Direcção


sábado, 14 de abril de 2012

CONVITE


8º CONVIVIO DOS COMBATENTES DE AVINTES

Estimados Companheiros:

Vamos realizar o nosso convívio no próximo dia 25 de Abril

Este ano num formato diferente, mas mantendo os mais altos valores que sempre nortearam os anteriores encontros, a Direcção da “nossa” Associação vem convidar-te a participar nas cerimónias civis e religiosas que decorrerão na Igreja Paroquial e na Quinta de Gradouro.
Certos de que será mais um momento de grandes recordações militares de vivências iguais em locais diferentes e em períodos de tempo diverso, será também o reencontro de gerações de amigos AVINTENSES que partilharam na sua juventude as mesmas brincadeiras, os mesmos espaços e a quem de certeza não serão indiferentes o Futebol Clube de Avintes, a União Académica de Avintes, Os Plebeus, o Grupo Mérito, os Restauradores, o Clube Recreativo Avintense e tantas outras colectividades que nos ajudaram a “crescer” e nos proporcionaram um sentido apurado para o que é o “BAIRRISMO” das gentes de Avintes.
Hoje, e enquanto Direcção, apelamos aos valores que a sociedade civil da altura nos ensinou e apelamos a uma “mobilização geral” para este convívio e ajudar-nos a fortalecer a ideia que com a ajuda de todos vamos concretizar o nosso sonho “ O MONUMENTO AOS COMBATENTES”.
O programa das comemorações é o seguinte:

10,00 H - Concentração junto ao local do futuro monumento

10,45 H - Cortejo em direcção à Igreja

11,30 H - Missa de Cerimónia

12,00 H - Romagem ao cemitério

13,00 H - Convívio /almoço (Quinta de Gradouro)
Pelo sucesso da “ementa” do ano passado, vamos manter a excelência do serviço e esperamos proporcionar um dia de grandes recordações e de muitas emoções. Pretendemos colorir a nossa festa com a presença das nossas “NAMORADAS” que nos acompanharam muitas delas desde então.
O valor por pessoa será de 25 Euros.
A Direcção irá apresentar algumas surpresas no decorrer do repasto, podendo desde já adiantar a Homenagem e comemoração do CINQUENTENÁRIO da partida dos companheiros de 1962 e a atribuição de uma recordação a três Combatentes que prestaram serviço militar nas “Ex-Colónias” há mais de 50 anos.  

Inscreve-te junto da Direcção:

Antero Santos - 968 097 313, Manuel Monteiro - 938 186 150 ou Jaime Ramos - 917 221 437 ou por email para combatentesdeavintes@gmail.com