terça-feira, 22 de novembro de 2011

OLHARES DE FORA PARA DENTRO

Artigo da autoria de José Maria Moniz, um Português que vive nos Estados Unidos, sobre a diferença como os Antigos Combatentes são tratados pela Pátria comparativamente com outros Países

A forma como os Antigos Combatentes da Guerra de Ultramar foram, e continuam a ser, tratados, continua a ser um triste retrato de Portugal. Note-se que não sou antigo combatente e nasci em 1968, pelo que, creio, ninguém me pode acusar de procurar vantagens com este assunto... A não ser o de sonhar com o respeito pelos filhos de Portugal e a decência para quem nos serviu e tudo deu.

Na verdade, considerando que esta Guerra, de 1961 a 1974, mobilizou cerca de um milhão de filhos, irmãos, maridos e pais de Portugal, que cerca de 9.000 perderam a vida a lutar por Portugal, que há um enorme número vivo a merecer reconhecimento e que há muitos, ainda, a sofrer as consequências de uma Guerra de Portugal, não posso deixar de pensar como estes homens (e mulheres) seriam tratados nos Estados Unidos (onde vivo), no Reino Unido ou em França (onde vivi). E Antigos Combatentes com deficiências permanentes (quer físicas ou psicológicas) contam-se mais de 15.000... Como não acarinhamos estes homens?
E, nem falo dos Portugueses Africanos que também serviram e que nem sequer entram para as estatísticas da Guerra do Ultramar como Portugueses... Homens e mulheres que serviram Portugal e que, por certo, ainda tiveram um fim violento por o terem feito (só na Guiné, estima-se que tenham sido assassinados sumariamente milhares de ex-combatentes - na ordem dos onze mil).

Uma das coisas mais limpas que existe nos Estados Unidos é o reconhecimento ao Antigo Combatente, que não é feito de forma belicista mas de forma respeitadora. As escolas visitam os monumentos, não para aprender as razões que levaram a lutar nem para conhecer o poder dos Estados Unidos mas, para reconhecer quem se sacrificou. As escolas e as famílias visitam os monumentos para perceber o impacto nas comunidades e nas vidas destes soldados que, mais do que tudo, eram pessoas. Quando os escuteiros colocam, todos os anos, um ramo em cada campa de um Antigo Combatente, em todos os cemitérios do país, não se promove política mas, isso sim, promove-se um simples agradecimento. No mesmo dia, a famílias inteiras vão aos cemitérios e até fazem piqueniques nos relvados das campas, para estarem em família, com todos. As crianças aprendem que as guerras custaram e custam caro e que houve boa gente que se sacrificou por elas, mesmo antes de terem nascido. Como diria um Antigo Combatente que muito estimo e respeito - “Só assim se pode incutir nos mais novos o sentimento de que pertencem a uma nação, com as suas vitórias e as suas derrotas, os seus momentos de glória e os seus períodos de desânimo. [...] Não se pode compreender um país se não se conhecer o seu passado, com tudo o que teve de bom e de menos bom. E neste aspecto, apesar da sua história ser curta, a América dá lições ao mundo, como ficou bem patente no modo como fizeram a catarse da guerra do Vietnam.”


Em Portugal tal é impensável. Nas escolas tudo é ignorado ou “revisto”. No dia a dia, o Português nem quer saber - os nossos heróis nem sequer são de louvar e, muito menos, para agradecer pois, dá trabalho e tira os olhos do umbigo. Não temos campas dos nossos soldados que morreram no Ultramar para visitar no dia 1 de Novembro e lembrar. Nem sequer um Código dos Inválidos, como o de 1929 pensado para os Combatentes da Primeira Grande Guerra, foi feito antes ou depois do 25 de Abril. Depois do 25 de Abril, falar do assunto garantia a classificação de “reaccionário” e, durante estes anos todos, o “Joaquim”, que não dorme, e o “António”, que não anda, esconderam-se nos quartos ou nos hospitais e não foram protegidos. Tal como eles, mais de 15.000 homens só puderam contar com o amor da família que, numa realidade diferente, tinha dificuldade em compreender o que passaram. Por fim, nem falo do que os sucessivos governos fizeram para não dar aos Antigos Combatentes benesses que, para mim e para os países civilizados, são básicas. E, até o monumento nacional aos Combatentes do Ultramar, em Lisboa, que foi construído por oito associações, não teve, sequer, uma comissão de honra que envolvesse os órgãos de soberania. Tal, porque o Presidente da República da altura, Dr. Mário Soares, recusou fazer parte de tal “porque era contra a Guerra de Ultramar” (!!!)... Como se os Antigos Combatentes tivessem culpa da Guerra e, claro, não lhes sendo reconhecido o serviço prestado a Portugal.


Reconheço que há melhorias: há mais homenagens, monumentos, livros não políticos e programas de televisão (a RTP tem vindo a fazer várias séries com o Joaquim Furtado) que permitem que os mais novos saibam o que se passou e se lembre o Combatente per se. Todavia, só no ano passado os Antigos Combatentes puderam desfilar no 10 de Junho, em Faro, pela primeira vez (“só” esperaram 36 anos)... Enfim, não chega. Há que fazer um mea culpa generalizado pela forma como os Antigos Combatentes foram e são tratados. Seria óptimo o nosso Estado liderar tal esforço (dado que foi o maior interessado nos serviços prestados) mas, já aprendemos, nunca o vai fazer. Por isso, tem que ser a população a fazê-lo.

Acho que, mais do que os Governos Portugueses podem fazer por quem os serviu - pois nos últimos 100 anos os Governos Portugueses não cuidaram dos seus e de quem os serviu (espero ter demonstrado) – interessa o que nós, Portugueses, podemos fazer para honrar o melhor do nosso País, que são os Antigos Combatentes.


sábado, 19 de novembro de 2011

MONUMENTO AOS COMBATENTES

JÁ COMEÇOU

Amigos e companheiros Combatentes de Avintes

Como é do vosso conhecimento, demos início à nossa campanha de angariação de fundos junto de empresas, particulares, combatentes, enfim às forças vivas de Avintes, para que possamos erigir o Monumento aos Combatentes de Avintes.

Companheiros, este início não tem sido fácil, mas como sabemos que só os sonhos são gratuitos, também sabemos que transformá-los em realidade tem um preço, e por isso corremos atrás desse sonho, que num futuro próximo se tornará realidade e do qual todos nós, combatentes em particular e a população em geral, teremos todo o orgulho e motivo de satisfação pela obra realizada.

Nesta pequena informação também queremos dizer-vos que da parte da Junta de Freguesia de Avintes, na pessoa do seu presidente Dr. Nuno de Oliveira, temos tido e sentido todo o apoio à nossa causa e a quem desde já dirigimos “Um muito obrigado”.

É nossa intenção fazer o lançamento da 1ª pedra do Monumento aos Combatentes de Avintes no dia 19 de Fevereiro de 2012, DIA DE AVINTES. Serão convidadas as entidades civis, militares e religiosas, para que a cerimónia tenha a solenidade que o Monumento exige e merece.

Amigos, daqui fazemos um apelo para que participem, apoiem, ajudem e divulguem esta nossa iniciativa para que os vindouros tomem consciência do que foi toda uma saga de uma geração, também de Avintenses, que se bateram pela Pátria.

Porque a história só é escrita pelos vencedores e nós, Combatentes de Avintes, somos uns vencedores, todos juntos vamos dizer e fazer : SE EU QUERO, EU POSSO, EU CONSIGO.

UM BEM HAJA E OBRIGADO

A COMISSÃO

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

JAIME RAMOS - O SUSTO (MEDO) DO COMBATENTE






Mensagem de Manuel da Costa Monteiro, Furriel Miliciano, que pertenceu à 1ª. Companhia do Batalhão de Artilharia 6523, Madina Mandinga, Guiné, 1973/74, com data de 2 de Novembro de 2011

Amigos Combatentes de Avintes, não sei porquê, mas NÓS, “VELHOS” COMBATENTES, SEJA QUAL FÔR O TEMA DA CONVERSA QUE ESTAMOS A TER, ACABAMOS POR FALAR SEMPRE DA GUERRA.

Bem, isto porque estando eu, Manuel Monteiro, acompanhado do Jaime Ramos e do Antero Santos em amena cavaqueira, desfiando recordações e lembrando situações, umas caricatas, outras dramáticas e perigosas, mas enfim abrindo o baú das nossas memórias, as quais só podem ser sentidas por quem as viveu e sentiu na pele, não posso deixar de descrever uma situação, que se não fosse um pouco macabra, seria satírica e motivo de boas risadas e por isso mesmo rimos a bom rir.
Um Unimog e uma Berliet a chegar a Aldeia Formosa, com o grupo de combate do Jaime Ramos, depois de terminada mais uma operação


A cena passa-se no já longínquo ano da graça de 1973, na Guiné, zona de Aldeia Formosa, onde estava colocado o nosso amigo Jaime Ramos como Furriel Miliciano e que integrava a 3ª. C.CAÇ. do BAT.CAÇ.4513.

Num final do dia 21 de Agosto de 1973 o nosso amigo é chamado ao seu Capitão e receber (em regime “de voluntariado”) instruções para sair com o seu grupo de combate e dirigir-se a CUMBIJÃ, onde estava estacionada uma Companhia de Cavalaria que nesse final de tarde, princípio de noite, tinha “embrulhado” (termo que significava que tinham sido atacados pelo IN; o IN disparou cerca de 70 granadas - 40 de canhão sem recuo e 30 de morteiro 82 - tendo as NT sofrido um morto e três feridos ligeiros). O objectivo dessa saída era para lhes levar mantimentos e repor o stock de munições e também para transportar o capelão militar (padre) para fazer o levantamento do corpo de um soldado que tinha perdido a vida em consequência do dito ataque e trazê-lo para Aldeia Formosa, de onde no dia imediato seria enviado, de avião ou helicóptero, para Bissau. Era o soldado Fausto Costa e pertencia à CCAV 8351 – Os Tigres de Cumbijã.

Aquartelamento de COLIBUIA - na estrada Mampatá - Cumbijã - Nhacobá

Bem, lá segue o Jaime com os seus soldados numa Berliet (camião) a caminho de CUMBIJÃ, picada fora. Lá chegados, feita a entrega das munições e dos mantimentos, o capelão procede ao levantamento do corpo; depois o corpo é metido num saco, colocado numa maca de campanha e posto na Berliet. Está na hora do regresso, seguem em direcção a Aldeia Formosa, pela picada que tem mais buracos que um queijo suíço, motivo para que todos os ocupantes andassem aos saltos como milho de pipocas. O Jaime vinha sentado na parte traseira da viatura de costas para a cabina, preparado para saltar se fossem vítimas de uma emboscada, quando a certa altura sente um pé ferrado nas suas costas. Irritado e incomodado, vira-se para trás, pensando que era um colega e então, nesse momento, ecoa um grito de terror e angústia pois repara que o pé nas suas costas era um pé do morto que, com os solavancos, tinha-se deslocado para trás dele.
Conclusão - um pequeno pé, mesmo sendo dum morto, faz tremer um homem mais que uma combate com o IN.

O grupo de combate do Jaime Ramos

Amigos Combatentes, aqui fica este trecho das nossas vivências em África porque a "HISTÓRIA SÓ É ESCRITA PELOS VENCEDORES"

Um abraço e bem hajam, Monteiro

sábado, 5 de novembro de 2011

DOIS AVINTENSES EM ALDEIA FORMOSA

Mensagem de Manuel da Costa Monteiro, Furriel Miliciano, que pertenceu à 1ª. Companhia do Batalhão de Artilharia 6523, Madina Mandinga, Guiné, 1973/74, com data de 2 de Novembro de 2011

Aldeia Formosa foi, no período de 1972/74, um centro nevrálgico no Sul da Guiné. Ali se encontraram dois amigos – camarigos, tratamento dado aos Combatentes da Guiné – o Antero Santos e o Jaime Ramos.

Aldeia Formosa - vista aérea

Costuma-se dizer e por vezes com certa razão que alguém que escreve sobre os amigos, vai enaltecer com loas e mentiras certos feitos que foram protagonizados por eles, não é este o caso, pois o que eu quero com este escrito e o que pretendo ao falar de dois amigos/camarigos é tão só que fique registado para os vindouros, contribuindo com pequenas estórias para a história do que foi a saga de três gerações de portugueses que se bateram com coragem e determinação para defenderem o que à data era Portugal, pois Portugal ia do Minho a Timor, e das quais eles fizeram parte e fazem – uma vez Combatente, Combatente toda a vida.


Pois bem, dois amigos que o destino quis que se juntassem em Aldeia Formosa, lugar onde estava o Antero, com o posto de Furriel Miliciano, enquadrado na C.CAÇ. 18 (Companhia Africana) desde o início de Janeiro de 1973 depois de ter estado durante um mês em Bolama – a fazer o IAO – e sete meses em Empada, na C.CAÇ. 3566 – Os Metralhas, e onde chegou o Jaime, também com o posto de Furriel Miliciano, em Abril desse mesmo ano, fazendo parte da 3ª C.CAÇ. do B.CAÇ 4513.
Muitas peripécias eles contam, algumas delas angustiantes, para quem como eu, que estando numa zona 100% operacional (Madina Mandinda, na zona de Gabu, leste da Guiné), tive a felicidade de nunca cair numa emboscada ou de emboscar o IN, nunca tive qualquer contacto com o IN, nunca soube o que era um ataque ao aquartelamento nem o que era um homem pisar uma mina.
Verifico que para muitos dos Camarigos e para estes em particular, que a comissão de serviço foi dura e hoje compreendo como é difícil falarem sobre o que lá viveram, embora aos poucos eles vão abrindo o seu bloqueamento, ao seu passado/vivido, principalmente com outros camarigos. Agora começo a compreender o que é o stress de guerra, mal que infelizmente ainda não é reconhecido como doença provocada pela guerra; centenas ou milhares de homens vão padecendo com todas estas mazelas, não merecendo qualquer apoio do Estado.

Rio Corubal - local onde se fazia a "cambança" - Aldeia Formosa/Saltinho - do lado de Paté Embaló

É mera coincidência, mas os nossos Camarigos Antero e Jaime tinham a especialidade de Atiradores de Infantaria e o curso de Minas e Armadilhas (especialidade em que um homem só se engana duas vezes, a primeira e a última) e como tal, o montar campos de minas, que tiveram de desmontar muitos meses depois, foram situações de risco bastante elevado que tiveram de cumprir.
Não chegava estarem longe de todos os seus familiares e amigos e tinham de conviver no seu dia a dia com situações desagradáveis e quiçá perigosas.
O Antero comandou o seu grupo de combate (porque o Alferes havia sido deslocado para um Pelotão de Nativos) e tinha de ser a figura de comandante, juiz, apaziguador, branco no grupo de vinte e seis negros e que acima de tudo tinha de ter a admiração deles; essa admiração foi sendo conquistada ao longo dos meses com atitudes de perseverança e ele tudo isto conseguiu pois, tal como outros, ele pôs em prática o ditado que diz FÁCIL É RECONHECER OS ERROS DOS OUTROS, DIFÍCIL É RECONHECER OS NOSSOS.

C.Caç. 18 - Grupo de combate do Antero (concentração dos soldados para mais uma saída para o mato)

O Jaime também não teve uma vida fácil pois fez parte de um Companhia que chegou a Aldeia Formosa num dos períodos mais difíceis da região Sul, em que se estava a construir uma estrada que iria penetrar em santuários do PAIGC (Salancaur Cul, Unal, Chin Chin Daril) e todos os dias tinha de se dar protecção à frente de trabalhos. Ao longo desta estrada as nossas tropas caíram em muitas emboscadas e quase todos os dias tinha de se proceder ao levantamento ou à neutralização de minas que eram colocadas durante a noite. O Jaime também teve a experiência de estar várias vezes debaixo de fogo IN, felizmente sem ter sofrido mazelas físicas e a sua Companhia teve bastantes feridos, principalmente no período de Abril a Julho de 73, tendo participado na operação BALANÇO FINAL em que se procedeu à tomada de Nhacobá (povoação controlada pelo PAIGC) e de que resultaram 17 mortos nas forças do IN, além da apreensão de algum armamento.
Resultados da Operação BALANÇO FINAL

A todos os Camarigos eu digo que a História (e nós fizemos História) é depósito de acções, testamento do passado, exemplo e aviso para o presente e advertência para o futuro e acreditem que é com orgulho que eu falo e escrevo, porque tenho a força moral de falar da Guerra de África porque eu estive lá, vivi-a!

Aldeia Formosa - aquartelamento

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DIA DE TODOS OS SANTOS


É neste dia que mais dedicamos os nossos pensamentos e orações aos nossos entes queridos e conhecidos (especialmente aos Combatentes) que já deixaram esta vida. Deles guardamos o que de melhor nos deixaram, pois como tudo na vida, "O TEMPO VAI, SÓ NÃO LEVA O QUE A MENTE GUARDA, PORQUE VAMOS LEMBRAR OS VOSSOS SORRISOS PARA SEMPRE".
Amigos neste dia é tradição a deposição de flores nas lages dos familiares, amigos, Combatentes, pois elas simbolizam a BELEZA E A CONTINUIDADE, porque: ELAS TAL COMO AS PESSOAS, MORREM, MAS DEIXAM CÁ AS SEMENTES PARA OUTRAS FLORES NASCEREM, ASSIM COMO AS PESSOAS DEIXAM OS SEUS DESCENDENTES PARA DAR SEGUIMENTO À VIDA.
Para todos os Combatentes de Avintes e familiares dos já falecidos, um abraço e lembrem-se que: VIVER É A ARTE DE SORRIR QUANDO A VIDA NOS DIZ NÃO.

AVINTENSES que perderam a vida, ao serviço da Pátria, durante a Guerra de África:

04/08/1961 - Joaquim de Sousa Ferreira, em Angola
05/09/1965 - José Rocha da Silva, na Guiné
23/06/1967 - Francisco Monteiro de Almeida, na Guiné
20/10/1968 - Manuel Ferreira de Almeida, na Guiné
01/07/1970 - António Manuel Ribeiro Ferreira, em Moçambique
17/12/1970 - José Francisco Campos Costa, em Moçambique
15/07/1972 - Idílio da Costa Moreira, na Guiné
26/09/1972 - Joaquim da Costa Moreira, na Guiné
02/01/1973 - Joaquim da Costa Gonçalves, em Moçambique
10/07/1974 - António dos Santos Sousa, em Moçambique

O Joaquim da Costa Gonçalves está sepultado em Valbom.
O Francisco Monteiro de Almeida está algures na Guiné (desaparecido em combate).
Os outros estão sepultados em Avintes.
PAZ ÀS SUAS ALMAS


4 de Agosto de 1961 - Joaquim de Sousa Ferreira


5 de Setembro de 1965 - José Rocha da Silva


23 de Junho de 1967 - Francisco Monteiro de Almeida


20 de Outubro de 1968 - Manuel Ferreira de Almeida

1 de Julho de 1970 - António Manuel Ribeiro Ferreira


17 de Dezembro de 1970 - José Francisco Campos Costa


15 de Julho de 1972 - Idílio da Costa Moreira

26 de Setembro de 1972 - Joaquim da Costa Oliveira


 2 de Janeiro de 1973 - Joaquim da Costa Gonçalves

10 de Julho de 1974 - António dos Santos Sousa
Igreja Matriz de Avintes - Padroeiro S. Pedro



A comissão
Manuel Monteiro, Antero Santos, Jaime Ramos

sábado, 22 de outubro de 2011

DIGNIDADE AOS COMBATENTES FALECIDOS

DIGNIDADE AOS COMBATENTES FALECIDOS NA GUERRA DO ULTRAMAR

MILITARES DE REGRESSO - regressaram ao solo Pátrio os seguintes militares:
Soldado Manuel Cabral Ribeiro
Soldado António Oliveira Matos
2.º Sargento de Transmissões Justino Teixeira da Mota
Furriel Mil.º Atirador José Carlos Moreira Machado
1.º Cabo Atirador Gabriel Ferreira Telo
1.º Cabo Atirador José da Silva Ferreira Duarte
1.º Cabo de Engenharia Aníbal Rodrigues dos Santos
1.º Cabo Enfermeiro João Martins Lourenço
Soldado Atirador José Maria Fernandes Carvalho
Soldado Atirador Manuel Maria Rodrigues Geraldes
Soldado de Infantaria Ernesto Correia Dias
Soldado Pára-Quedista António das Neves Vitoriano
Soldado Pára-Quedista José de Jesus Lourenço
Soldado Pára-Quedistas Manuel da Silva Peixoto


PAZ ÀS SUAS ALMAS 
AO FIM DE TANTOS ANOS OS FAMILIARES PODEM AGORA FAZER O LUTO.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MANUEL FERREIRA DE ALMEIDA – 20 de Outubro de 1968



MANUEL FERREIRA DE ALMEIDA – 20 de Outubro de 1968 - Completam-se hoje, dia 20 de Outubro, quarenta e três anos da morte deste Avintense, em combate na Guiné.


Era Soldado Pára-quedista e fazia parte do BCP 12 – Batalhão de Caçadores Pára-quedistas, aquartelado na Guiné.

Foi bombeiro. Fazia parte da equipa dos Bombeiros Voluntários de Avintes.


Era conhecido como o Nequita Louro e residia na Rua 5 de Outubro, na zona do Americano.


PAZ À SUA ALMA.





domingo, 9 de outubro de 2011

A FILHA DA LAVADEIRA


Acreditem, fiquei emocionado ao ver tamanha ternura nesta fotografia. Por isto se percebe o quanto as populações nos queriam bem.A menina é mesmo bonita tem uns olhos grandes, um pouco da cor da mãe mas não destoa. Parabens ao padrinho pela afilhada.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

JOAQUIM DA COSTA OLIVEIRA - 26 de Setº de 1972


JOAQUIM DA COSTA OLIVEIRA - Completam-se hoje, dia 26 de Setembro, trinta e nove anos da morte em combate, deste Avintense, na Guiné. Foi o 8º. Avintense a falecer na Guerra de África.
Era 1º. Grumete Fuzileiro Especial e fazia parte do DFE 12. Residia em Aldeia Nova, Avintes.
Está sepultado em Avintes.
PAZ À SUA ALMA.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

AEROGRAMA - BATE ESTRADAS


Combatente de Avintes, este que hoje vos apresento,é talvez um dos mais importantes Camarigos de toda uma geração que passou pelos teatros de guerra no Ultramar, o célebre Bate Estradas. Foste criado pelo Movimento Nacional Feminino e foste o meio de comunicação mais difundido entre militares, suas familias e afins. Foste o parceiro, o confidente, o mensageiro das boas e más noticias, por ti passaram encontros e desencontros, amores e desamores,lágrimas e risos, enfim, foste fonte de todos os nossos estados de alma. Foste o sopro inebriante do amor e carinho pela pessoa amada, por ti e em ti, foram derramadas lágrimas de felicidade, choro, angustia e de muito amor. Foste companheiro nas horas de aperto, pois qual o militar que não te trazia num bolso do camuflado, para num momento de descanso, ler e beber as palavras de conforto e carinho dos seus e4nte queridos, pais, namoradas, esposas, filhos, madrinhas de guerra, amigos e companheiros. A ti devemos as maiores alegrias que em plena selva, terra vermelha, local onde o verde se entranha e o sol esquenta mais, podia-mos ter, pois quando tu chegavas, por avião, barco ou coluna, sabiamos que era o momento em que os nossos corações mais ansiavam, era a hora em que bebiamos todas as letras que transportavas. Foste mensageiro, qual cupido de inicio de muitos namoros que mais tarde deram em casamentos, mas tambem, foste mensageiro da desgraça e do desgosto, pois em ti descarregaram o fim de namoros e casamentos, pois que após lido foste dado como culpado de tais novas e portanto foste rasgado, chutado, queimado e odiado. Foste portador de segredos e inconfidencias que só os apaixonados fazem. Invariávelmente foste o percussor de uma forma muito peculiar de se começar uma carta e que era; Queridos pais ( namorada, esposa ou afim ) espero que este vos vá encontrar de perfeita saúde que este que tanto vos ama fica bem. Muito mais te teria a dizer, mas por aqui fico, grato por tudo o que nos deste pois sem ti tudo seria diferente. Obrigado Bate Estradas e um até sempre. Monteiro

sábado, 17 de setembro de 2011

FESTA DA BROA - AGRADECIMENTO AO SR. PRESIDENTE DA CÂMARA






                   Associação de Combatentes de Avintes




  
                                                                                                  Exmo. Senhor
                                                                                                  Dr. Luís Filipe Menezes
                                                                                                  Dign.mo. Presidente da Câmara Municipal de
                                                                                                  Vila Nova de Gaia

            
Avintes, 11 de Setembro de 2011

Senhor Presidente, neste fechar da Festa da Broa de Avintes, vem a Associação de Combatentes de Avintes apresentar-lhe o agradecimento público pela cortesia, simpatia e gesto que demonstrou aquando da sua visita à nossa “kitanda”, onde estava exposta a maqueta do Monumento aos Combatentes de Avintes, da autoria do Sr. Arquitecto Octávio Alves, que pretendemos erigir.
Senhor Presidente, o senhor com o seu gesto (compra de um cubo de granito) contribuiu para que o colocássemos na galeria onde só os notáveis estão, pois há três tipos de pessoas – “as que fazem”, “as que vêm fazer” e “as que perguntam o que aconteceu” – e o senhor está naqueles “que fazem”. Por isso, o nosso obrigado e esperamos que, pela sua pessoa, a Câmara que V. Exa. dirige, tenha uma abertura para a nossa causa, pois somos homens que conservamos a fé no passado e, como tal, não nos assustamos com o futuro.

Senhor Presidente, temos de nos unir, não para estarmos juntos, mas para fazermos obra juntos, e essa obra é o Monumento aos Combatentes de Avintes.
A terminar queremos dizer-lhe, Senhor Presidente, que durante o próximo ano de 2012, esperamos ter a sua presença em Avintes para, em conjunto com o Sr. Dr. Nuno Oliveira, Presidente da Junta de Freguesia, procederem à inauguração desta obra que irá perpetuar os Combatentes de Avintes e, em especial, os que deram a vida pela Pátria na flor da idade.

Bem haja.
A COMISSÃO


Se serviste à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma fazer.
Padre António Vieira

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

FESTA DA BROA - AGRADECIMENTO À JUNTA DE FREGUESIA


Associação de Combatentes de Avintes

               
                                                                
                                                               Exmo. Senhor
                                                                               Dr. Nuno Oliveira
                                                                              Presidente da Junta de Freguesia de Avintes
                                                                              Rua da Escola Central
                                                                              Avintes

               

Avintes, 10 de Setembro de 2011

Senhor Presidente, caro Camarigo, é com toda a deferência que o tratamos como Camarigo (Camarada e Amigo). Sendo o Sr. já um dos nossos, todos os elogios e loas que lhe possamos prestar, nunca irá igualar aquilo que já fez por nós e ainda irá fazer, pois o Sr. é mesmo o paradigma do ditado que diz “Podemos fazer mais, com menos”.
Senhor Presidente, caro Camarigo, queremos publicamente apresentar-lhe a nosso agradecimento pelo seu empenho, trabalho, simpatia e argúcia negocial que demonstrou ao indicar-nos o caminho para melhor conseguirmos os nossos intentos.

Também queremos dar-lhe um forte obrigado por ter tido a gentileza de ter levado o Sr. Presidente da Assembleia Geral, César Oliveira e o Sr. Presidente da Câmara, Dr. Luís Filipe Menezes e respectivas comitivas a visitarem o nosso stand e consequentemente a apreciarem a maqueta do nosso Monumento aos Combatentes de Avintes. Deles recebemos palavras de elogio e de empenhamento para que o Monumento venha a ser uma realidade e, talvez, uma abertura para que possamos vir a ter uma comparticipação por parte da Câmara.
Senhor Presidente, pensamos que sem a sua intervenção não teríamos chegado tão depressa ao nosso objectivo, mas também lhe queremos dizer que o Sr. ficará na história de Avintes, pois o Monumento aos Combatentes será um marco na cultura Avintense  e que, enquanto edil, o Sr. ficará em Avintes na galeria dos notáveis, onde os “grandes homens não nasceram na grandeza, engrandeceram”..

Neste nosso agradecimento público gostaríamos de incluir todos os seus colaboradores, com um destaque especial para o Sr. António José Vieira que, conjuntamente com o Sr., desde a primeira hora têm estado connosco. Gostaríamos ainda de incluir a Srª. Engª. Maria Domingas, do Parque Biológico, que foi incansável e de uma simpatia extraordinária na ajuda à nossa causa. Para todos o nosso muito obrigado e fiquem com a certeza de que ficarão para sempre nos nossos corações como amigos de peito. Bem hajam!
A COMISSÃO


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

JOSÉ ROCHA DA SILVA - 46 ANOS


JOSÉ ROCHA DA SILVA - Completaram-se no passado dia 5 de Setembro, quarenta e seis anos da morte, em combate, deste Avintense na Guiné.Foi o 2º Avintense a falecer na Guerra de África.
Fez parte da CCaç 1421/BCaç 1857. Está sepultado em Avintes.
PAZ À SUA ALMA.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MANUEL DOS SANTOS FERREIRA (MOTA) - Angola











Mensagem de Manuel dos Santos Ferreira, Soldado Sapador, que pertenceu à CCS – Companhia de Comando e Serviços do BCAÇ 1884 – Batalhão de Cavalaria 1884, Zemba e Ambriz, Angola, 1966/68, com data de 31 de Agosto de 2011



Assentei praça no dia 25 de Outubro de 1965, no GACA 3, em Espinho, onde fiz a recruta.

Em 5 de Janeiro de 1966 fui colocado no Regimento de Infantaria 2, em Abrantes, e aqui fiz a especialidade de Sapador.
Na pista de aviação de Zemba (em terra batida)

Em 15 de Março de 1966 fui colocado no RC 7 - Regimento de Cavalaria 7, em Lisboa para formar Batalhão, por ter sido mobilizado para Angola.

Passei a fazer parte da CCS – Companhia de Comando e Serviços do BCAÇ 1884 – Batalhão de Cavalaria 1884. Comandou este Batalhão o Tenente-Coronel José Maria Fontes Pereira de Melo; a minha Companhia era comandada pelo Capitão Ferreira.

Em 15 de Abril de 1966 embarquei no “Niassa” rumo a Angola.

Navio Niassa que nos transportou até Luanda

Estive durante quatro dias em Luanda, no Campo do Grafanil, e parti de seguida para a zona dos Dembos, mais propriamente para Zemba. Estive em Zemba durante catorze meses. Depois fui colocado em Ambriz até Junho de 1968. No dia 9 de Junho de 1968 embarquei, em Luanda, no navio “Quanza”, e cheguei a Lisboa na véspera de S. João, dia 23 de Junho.

O meu grupo de combate, depois do regresso de uma operação. Esta foto foi tirada depois de termos feito levantamento de rancho: a comida péssima e para substituição da refeição recusada, comemos pão com chouriço.

Vista do quartel de Zemba a partir da nascente de água onde nos abastecíamos

Durante a comissão de serviço o meu Batalhão sofreu nove baixas, sendo cinco mortos devido a acidente de viação, um por suicídio e três mortos em combate; os mortos em combate aconteceram todas no dia 11 de Julho de 1967. Tivemos ainda quatro feridos, um deles com gravidade. Recordo que um dos mortos devido a acidente de viação, em Quitexe, na estrada  Carmona - Luanda, em 7 de Dezembro de 1966, o soldado David do Nascimento Rogado, natural da freguesia de Marialva, concelho de Meda, ficou sepultado em Angola, no cemitério de Vista Alegre, em Quitexe.

Travessia do rio Dange, a vau, quando nos dirigíamos a Carmona

Cobra que foi abatida pelo Alferes Malheiro, comandante do pelotão e 2º Cmdt. da CCS


Pelo Comandante da Companhia foi-me concedido um louvor.

A terminar quero recordar com enorme satisfação, o militar que melhor compreendia as dificuldades de todos nós devido ao seu elevado humanismo, o Alferes Miliciano Malheiro e que esteve sempre ao lado de todos os soldados. A ele um BOM HAJA!
Postal de Natal que enviei de Zemba



terça-feira, 30 de agosto de 2011

PESSOAL TRABALHADOR

Amigos, a alegria é imensa por saber que esta tudo a correr bem. Esta a ser dado um grande passo para a concretizacão do nosso sonho; O MONUMENTO DOS COMBATENTES DE AVINTES. Quanto gostaria de estar junto de vos, mas foi de todo impossivel, sei que estais todos a dar o vosso melhor, podemos não ter um stand bonito, podemos não ganhar para as despezas, mas a divulgação e aceitação do que pretendemos, valeu o sacrificio. Irei dando noticias, um abraço